Pontão Matrizes Amazônicas participa do maior encontro dos pontos de cultura do Brasil
6ª Teia Nacional da Cultura - Pontos de Cultura Pela Justiça Climática – 19 a 24 de maio em Aracruz, Espírito Santo
Entre os dias 19 e 24 de maio, Aracruz (ES) será o centro da cultura viva brasileira com a realização da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC). Considerado o maior espaço de articulação da rede Cultura Viva no país, o encontro reunirá representantes de pontos e pontões de cultura, gestores públicos, pesquisadores, artistas, mestres e mestras das culturas populares, juventudes, povos indígenas e movimentos culturais de todas as regiões do Brasil.
Com mais de 200 atividades programadas, entre fóruns, painéis, encontros, oficinas, rodas de conversa, vivências territoriais, ações formativas e apresentações culturais, a Teia reafirma a cultura como eixo estratégico para o fortalecimento da democracia, da participação social e da justiça climática.
Pela primeira vez realizada em territórios indígenas dos povos Tupiniquim e Guarani, a 6ª Teia tem como tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, destacando o papel da cultura no enfrentamento e como ferramenta de conscientização às mudanças climáticas.
Entre os principais destaques da programação está o 5º Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, instância máxima de participação social da Política Cultura Viva, que reunirá cerca de 856 delegadas e delegados de todo o país para debater propostas e diretrizes para o fortalecimento da política pública.
Também integra a agenda o 2º Fórum Nacional de Gestores Cultura Viva, voltado à articulação federativa e à pactuação de estratégias relacionadas à governança, instrumentos legais, indicadores de avaliação, integração de dados, Sistema Nacional de Cultura e implementação da Política Nacional Aldir Blanc.
A programação contempla ainda a abertura do 3º Encontro Nacional dos Pontões de Cultura e do 1º Encontro Nacional Agente Jovem Cultura Viva e Rede de Pontos de Cultura. Na Teia também acontecerá a Reunião do Conselho Intergovernamental do Programa Cultura Viva, o Encontro da Rede Educativa e o Encontro Internacional Cultura, Infância e Natureza: agir pelo planeta.
A 6ª Teia Nacional reafirma a cultura como eixo estruturante das transformações sociais necessárias para a construção de um futuro sustentável, solidário e justo. Os espaços da Teia também receberão Feira de Economia Criativa e Solidária, mostras artísticas, oficinas e apresentações culturais de diversas linguagens, transformando Aracruz em um grande território de trocas, saberes e celebração da diversidade cultural brasileira.

Ponto de Cultura de Carajás participa da Teia Nacional de Cultura
Do Pontal ao Pontão – articulação em rede no Sudeste do Pará.
Um galpão onde um dia funcionou uma siderúrgica transformou-se em um dos principais polos de produção cultural do estado do Pará. A Associação dos Artistas Visuais do Sul e Sudeste do Pará, ou Pontal Instituto Cultural, existe desde 2005 enquanto Ponto de Cultura, mas a história desse núcleo nasceu em 1998.
De tão rica, essa trajetória foi parar em uma dissertação de mestrado escrita por uma das idealizadoras do espaço e filha do antigo dono do galpão, Deize Botelho. A tese faz um resgate histórico, que se inicia na década de 1970, narrando o movimento artístico cultural no sudeste do Pará, analisa o projeto Cultura Viva e os impactos da ação do Ponto de Cultura nos avanços da política cultural local.
O Pontal Instituto Cultural está localizado no município de Marabá. Este ano, o grupo completa 28 anos de atuação e estará presente na 6ª Teia Nacional, evento que acontece entre os dias 19 e 24 de maio na cidade de Aracruz, no Espírito Santo.
É com muito orgulho que o Pontal e Pontão de Matrizes Amazônicas participa da Teia Nacional, levando uma articulação em rede em nível nacional, com trabalhos de formação de agentes jovens desenvolvidos no último ano (2025) e com o protagonismo do Pontal Instituto Cultural como Ponto de Cultura que acredita e fortalece a Política Nacional Cultura Viva (PNCV).
Chegamos até aqui, nesta caminhada, com delegados, agentes jovens e integrantes do nosso grupo de trabalho presentes na Comissão Paraense de Pontos e Pontões de Cultura, no Conselho Estadual de Cultura do Pará e também na Comissão Nacional de Pontos e Pontões de Cultura.
Participam do Comitê Gestor do Pontão Matrizes Amazônicas os seguintes Pontos de Cultura: Pontal (Marabá – PA), Mamulengo Sem Fronteiras (Brasília – DF), Casa Opoca (São Miguel Arcanjo – SP), TabokaGrande (Palmas – TO) e Ponto de Cultura Conquistar.

Onde tudo começou
Em 1997, começou com um movimento envolvendo diversos artistas de diferentes linguagens, entre eles Deize, que é oriunda da música. Aquela antiga siderurgia ficou conhecida como Galpão de Arte de Marabá - GAM.
"O galpão virou um espaço de pertencimento de todas as vertentes artísticas. Nesse local foram criadas várias associações, como a Associação dos Músicos e Poetas, Associação dos Artistas Visuais, Associação dos Artesãos, além de grupos de dança", descreveu Deize. O lugar tornou-se referência no estado e, em 2005, passou a fazer parte da Rede Nacional Cultura Viva.
Entre tantas histórias de jovens que tiveram a vida transformada pelo projeto, uma chama a atenção. Certo dia, o adolescente Marcone, então com 14 anos, passou a frequentar o Galpão das Artes de Marabá. Ele se identificou com as artes visuais e, anos depois, tornou-se o reconhecido artista Marcone Moreira, que já expôs em diversos estados e outros países. Ele também é o atual presidente da instituição.
"É um trabalho que traz muitos frutos. Lançarei um livro chamado Cultura Viva na Amazônia, em agosto, que fala do movimento artístico de Marabá e do Cultura Viva", afirmou Deize.
Ela relembra ainda que o sudeste do Pará parecia muito distante do Ministério da Cultura, até que apareceu um edital de certificação dos Pontos de Cultura que encurtou a distância.
Para ela, uma das coisas mais importantes de ter ingressado na Rede foi perceber que o Pontal não estava sozinho em relação àquele pensamento avançado sobre fazer cultura. O grupo já trabalhava com a ideia de cultura e meio ambiente, cultura e educação e suas transversalidades, com valorização da diversidade cultural e das diferenças.
"Já fomos criados com esse pensamento contemporâneo. Quando a gente percebeu que havia uma rede que pensava dessa forma também, nos sentimos fortalecidos. Daí nossas ações se expandiram cada vez mais", afirma.

Matrizes Amazônicas: Cultura Viva e justiça climática em movimento na COP30 em Belém (PA)
Com a retomada do Ministério da Cultura em 2023 e a reativação da política Cultura Viva, o Pontal Instituto Cultural, de Marabá, foi selecionado pelo edital de fomento a Pontões de Cultura, dando origem ao Pontão Matrizes Amazônicas – Pororoca da Cidadania. A iniciativa fortaleceu ações de formação e articulação em rede com Pontos de Cultura de várias regiões do país, reunindo agentes culturais em torno de práticas comunitárias e debates sobre cidadania e território.
Após um ano de atividades, o Pontão realizou uma programação autônoma e paralela à COP30, em Belém, com a campanha “Cultura Viva – Raízes da Pororoca da Cidadania e dos Direitos dos Povos Amazônicos”. Nesse contexto, foi lançado o Manifesto Matrizes Amazônicas, ocupando ruas, praças e espaços culturais da cidade com oficinas, rodas de conversa, performances e debates sobre diversidade cultural, justiça climática e o direito à cultura, articulando diferentes Pontos e Pontões de Cultura da Amazônia e de outras regiões do Brasil.
Ao conectar cultura e meio ambiente, o Manifesto propôs o rio como metáfora de resistência e denúncia frente ao ecocídio de rios e florestas, reafirmando os Direitos da Natureza e a Lei dos Rios. A experiência ampliou a reflexão sobre os impactos das mudanças climáticas no fazer cultural coletivo e reforçou a necessidade de incluir essa pauta nas políticas culturais brasileiras, especialmente em instrumentos como o Plano Nacional de Cultura, a Política Nacional Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo.

6ª Teia Nacional recebe a exposição “Você Já Escutou a Terra?” com curadoria de Ailton Krenak em Aracruz (ES)
6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada pelo Ministério da Cultura (MinC) entre os dias 19 e 24 de maio, em Aracruz (ES), recebe em sua programação a exposição “Você Já Escutou a Terra?”, do Museu da Pessoa, com curadoria do líder indígena Ailton Krenak e da museóloga Karen Worcman. A mostra gratuita é aberta ao público no Sesc Praia Formosa e dialoga diretamente com o tema desta edição do encontro: “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”.
Com uma proposta sensorial e imersiva, a exposição convida o público a refletir sobre a relação entre humanidade, natureza, memória e território a partir de uma perspectiva biocêntrica, que reconhece todas as formas de vida como igualmente valiosas. A iniciativa integra o conjunto de atividades culturais, artísticas e formativas da Teia Nacional, reafirmando o papel da Cultura Viva na promoção do bem viver, da diversidade cultural e da defesa dos territórios.
Realizada pelo Museu da Pessoa em parceria com o Sesc Espírito Santo, a mostra ganhou projeção nacional durante a COP 30, em Belém (PA), e chega a Aracruz como parte da programação cultural do maior encontro da rede Cultura Viva no país. A cidade capixaba é a primeira parada da exposição após a conferência climática da ONU.

Mais informações
Para saber mais sobre as atividades do Pontão Matrizes Amazônicas acesse em www.mamazonias.com ou nas redes sociais em @pontaomatrizesamazonicas ou @pontalinstitutocultural.A programação completa da 6ª Teia Nacional de Pontos e Pontões de Cultura pela Justiça Climática está disponível no site do Minc no Portal do Governo Federal.
Equipe de Comunicação Pontão Matrizes Amazônicas e Minc.
Fotos: Acervo Pontal e Jairon Gomes
